Ah, sabe o que é?
É que agora me dá vontade o tempo todo de parar o chato do tempo vinte e sete vezes por segundo. Porque o relógio agora funciona em ordem decrescente e o boom que parecia distante ameaça começar amanhã de manhã.
Hoje existem vinte e sete motivos para sair correndo da vida real e fingir uma vida de faz de conta que já nem faz mais sentido. Porque é muito mais divertido mergulhar na bagunça do meu quarto adolescente e brincar com as desilusões do que fora. Ler cartas de antigos amores, rir dos bilhetes de sala de aula, arrumar a coleção de papéis de carta, pintar o cabelo das bonecas de cor de rosa.
Nesse minuto existem vinte e sete segundos para cada nova constatação de que o tempo não pára e nada faz as coisas pararem no tempo. Porque eu nem posso mais conversar na calçada, escrever na minha agenda, nem passar horas a fio testando tratamentos de beleza vistos na última Capricho.
É que essa sensação de que tudo agora é para sempre aparece vinte e sete vezes por tragada pensante. E a verdade é que eu mal consigo planejar a cor do cabelo do próximo mês.
Ah, sabe mesmo de verdade o que é?
É que o dia parece vinte e sete vezes menor a cada dia que passa. E é nesse ritmo de tic-tac que o coração bate vinte e sete mil vezes a todo momento que penso que o amanhã chegou e eu nem sei como ele é ainda. Só sei que quero que ele seja vinte e sete vezes melhor do que esse texto de vinte e sete linhas.
Pode ser?
sexta-feira, 18 de abril de 2008
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Juno
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Se todos conseguissem ver a vida como Juno, tudo seria mais simples e verdadeiro. O olhar puro sobre a vida descomplica as situações mais dramáticas. É o modo irresponsável mais doce e leve e ainda por cima consciente e responsável de encarar os problemas. Gostaria de aprender um pouco com ela. Você não?
Recomendo. Até mesmo porque tem a trilha sonora P E R F E I T A! Canções que podiam trilhar a minha vida, a sua e a de todo mundo que adora sorrir, viajar e brincar. É suave aos ouvidos. Desperta vontade de viver mais light. Dá vontade de ler e de dormir abraçadinho. Ou então de simplesmente pegar a estrada, ir para a praia, e fazer um luau à beira do mar ao som do violão amado. Ahhh...inspira criatividade. Dá uma conferida e depois me diz.
]Tu sabe?[
Ah, eu não sei. Mas é um tanto assim diferente. De tudo que um dia fora, de algo que já nem sei mais. Talvez parecido com jujuba. Quem sabe primo da timidez. Aquém de não sei o quê. Parente de um lugar que já nem conhecia mais. Primo do rubor, conhece? Ah, eu não sei. Pode ser um pouco de transeunte. Mais parecido com aquilo que já beliscou. Próximo do ranger dos dentes. Amigo do travesseiro. Colega doooo... frio na barriga. Ah, eu não sei. Mora na esquina da rua sem fim. Lá onde perderam as botas, sabe? Na avenida do sorvete. No país das maravilhas. Em um tempo sem espaço. Num espaço sem tempo. Ah, eu não sei. Talvez, quem sabe, um dia, portanto, porém, contudo, todavia. Na toca do absurdo. Com gosto de chuva. E cheiro de inspiração. Ah, sei lá. Uma coisa assim não sei como. De um jeito que nem sei porquê. Ah, deixa pra lá.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
]Romance[
Dias de chuva são românticos sim. Mas mais romântico ainda é uma varanda de penumbras permeada de ilusões. Som de água caindo é romântico sim. Mas mais romântico ainda é a feição perfeita emoldurada por uma rede de sonhos. Gotinhas pingando do telhado são românticas sim. Mas mais romântico ainda é acreditar que os momentos são eternos e verdadeiros. Que a eternidade pode ser um segundo e um segundo, uma leve eternidade. A natureza é romântica sim. Mas mais romântico ainda é dividir a visão mais perfeita de tudo o que pode parecer imperfeito aos olhos dos cegos inconscientes. É viver o nada como se fosse tudo e tudo como se fosse o nada mais perfeito. É vislumbrar toda uma vida com um simples olhar de cumplicidade.
Eu sou romântica sim. Mas mais romântico ainda é ter você [com os olhos fixados em mim].
Eu sou romântica sim. Mas mais romântico ainda é ter você [com os olhos fixados em mim].
terça-feira, 1 de abril de 2008
]Quimera[
Saudade da irresponsabilidade. Saudade da quietude gritada. Saudade dos brados de emoção. Saudade das certezas tortas. Saudade do tempo que não tinha fim. Saudade de tudo o que não sabia se era mas acreditava ser. Saudade de ser mais do que se pode. Saudade de viajar na gula de vida. Saudade de tudo o que não podia e era feito. Saudade do que não se quer mais. Vontade de um ontem que não volta. Sede de um futuro que não se crê que será. Quisera.
]Mentira[
Mentira. Olha e vê. Vê e não olha. Enxerga, mas não sente. Sente e ignora. Chega e acerta. Corre e cala. Foge e escuta. Passa e finge. Volta e cola. Faz e acontece. Vem, e demora. Cresce e some. Chora e vigora. Toca, mas não rola. Cansa e vai embora. Crente, adora. Arruma, e embola. Vira e tarda. Mente e não crê. Diz, mas não fala. Fala, mas não ouve. Pega e solta. Morde e corre. Cruza e disfarça. Olha e não vê. Vê e não olha. Mentira.
]Sou Ilha[
Houve um tempo em que fui barco, com coragem e vontade de conhecer. Houve um tempo que fui mala, onde carregava todo o peso do mundo ao mesmo tempo. Houve um tempo em que fui bagagem: era levada pelo viajante do momento. Houve um tempo que fui passagem, onde não era nada mas transportava tudo a todo lugar. Houve um tempo em que fui mar, forte e fascinante. Houve tempo em que fui rio, que desfilava serenidade, mas carregava todas as pedras e os espinhos. Houve um tempo que fui até montanha, distante e soberana. Houve um tempo em que acreditava ser pau e pedra. Houve um tempo em que quis ser vento: silêncio e serenidade. Mas no fundo, no fundo mesmo, eu era um oceano, que parecia ser grande e não ter nada, mas escondia toda uma vida por dentro. O cenário do momento é que sou ilha. Um pedaço de terra cercado de água por todos os lados.
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